Prof. Ricieri



"Aquele que aprende

(mathematikós)

decodificando

(máthema) 

os traçados

(curvarum)

da natureza

(phýsis)".

Mathematikós

 

O Prof. Aguinaldo Prandini Ricieri bacharelou-se em Física pela USP e pós-graduou-se em Engenharia Espacial pelo ITA. É consultor, autor de vários livros e professor do ITA, onde lecionou de 1982 a 2019, período em que criou o Curso Prandiano e fundou o Museu de Matemática, "primeiro, maior e mais completo do Mundo". 

"Quanto aos leitores jovens, esses se identificarão de imediato com o herói em carne e osso, com o estudante que, no dorso dos foguetes, perseguiu o ideal do cientista, lutou contra tudo e todos, sofreu, viveu não raro desarvorado entre os apelos da ciência e os do sexo, mas que não esmoreceu, não cedeu, nem se transviou. Que bem cedo descobriu que deveria vencer (e venceu) sozinho)."

 Buraco Analista,

livro autobiográfico do Ricieri

Prefácio
(Hildebrando A. de André)

 

À primeira vista, um livro desconcertante, que foge do convencional. Não tem a matéria exposta de acordo com textos "bem-comportados". Seu estilo é outro: o adulto escreve como o menino que foi, assumindo-o por inteiro. Além disso, o assunto tem como ponto de partida duas situações que, embora consistentes em si, não se poderiam combinar, exceto no texto humorístico. Na interiorana Cornélio Procópio, onde o atraso e o primitivismo eram as marcas reais (como em quase todas as ciadas do interior brasileiro), nunca poderia surgir um Centro de Lançamento de Foguetes, muito menos poderiam surgir cientistas. Só que isso aconteceu e aí reside a força desta obra. As situações, consistentes em si, sem condições de combinar-se, associaram-se por causa da genialidade do estudioso que lá apareceu: Ricieri.
Desde as primeiras páginas, o desconcerto inicial vai ganhando sentido e sendo substituído pelo interesse diante do relato simples, direto, em que as palavras têm o sentido que têm, não sugerem, dizem o que o estudante pensa e faz, sem rodeios. Relato surpreendente a que o leitor adere, passando, então, a conviver com o narrador no ambiente acanhado da cidade interiorana. Ali, o jovem interessado nos mistérios da Ciência empolga-se com o mundo dos descobrimentos espaciais. Na escola, fascina-se pela Física, pela Matemática, pelas experiências científicas. Todo esse impulso, entretanto, surge exclusivamente da alma do humilde ginasiano, pois nada existia em Cornélio, a não ser a ausência de tudo. O menino, cientista precoce, bem cedo se defronta com imensos obstáculos. A falta de informações e de meios, de um lado; a incompreensão e o preconceito, de outro. Não fosse sua obsessão pela ciência, o rapazinho seria esmagado.
Não é história ficcional, relato imaginário.
São fatos.
São fotos.
O livro desvenda uma realidade imprevisível, mas verdadeira. Por isso, tem força inquestionável. Documental. Não de documento obtido por canais burocráticos do poder ou da Universidade. Chega-nos pelas mãos honestas e simples do jovem cientista, agora consagrado.
Não sei como os leitores adultos receberão esta obra. Alguns críticos talvez torçam o nariz, como já o fizeram diante de produções artísticas de outros jovens, por trilharem caminhos diferentes do usual. Felizmente, deverão ser poucos. Basta ler com atenção, com a alma aberta, para descobrir o valor desse livro.
Quanto aos leitores jovens, esses se identificarão de imediato com o herói em carne e osso, com o estudante que, no dorso dos foguetes, perseguiu o ideal do cientista, lutou contra tudo e todos, sofreu, viveu não raro desarvorado entre os apelos da ciência e os do sexo, mas que não esmoreceu, não cedeu, nem se transviou. Que bem cedo descobriu que deveria vencer (e venceu) sozinho).